Design e Decoração

Você sabe calcular sua hora de trabalho?

03/03/2017
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Para quem atua de forma autônoma, como arquitetos e outros profissionais prestadores de serviços, saber o valor de sua hora de trabalho é algo primordial para a existência do seu negócio. Além de permitir uma remuneração justa para o trabalho a ser realizado, conhecer quanto vale a hora trabalhada permite que você e sua equipe consigam planejar investimentos, organizar cronogramas e escalar colaboradores, por exemplo. Agora, fica a pergunta: você sabe como calcular sua hora de trabalho? Caso sua resposta foi negativa, vamos esclarecer algumas dúvidas e auxiliar você a cobrar seus projetos com mais segurança.  

Em Arquitetura de Interiores, muitos colegas faziam (e ainda fazem!) orçamentos usando a metragem quadrada como referência para o cálculo dos honorários. É usual e prático para quem monta orçamentos com essa natureza, já que os fatores envolvidos no cálculo são mais simplificados. No entanto, há riscos nessa prática: nem sempre o valor final expressa os gastos reais do escritório. Por isso, conhecer o valor da hora de trabalho, construído a partir dos custos da empresa, é uma alternativa segura e mais eficaz para você acertar na hora de cobrar por um projeto.

Antes de calcular, é preciso conhecer todas as partes do seu negócio: saber quais são os gastos que você tem em seu negócio, de forma criteriosa e detalhada, é o ponto de partida para definir o valor. Há gastos fixos, outros que são variáveis e, para que sua empresa possa sempre crescer, você também deve considerar uma parcela de investimentos. Se a dúvida é saber quais são os custos previstos em cada uma das categorias que citamos, vamos exemplificar para que fique o mais claro possível.

A parte fixa dos seus gastos incluem aluguel e contas como água, energia elétrica, telefone, internet e condomínio, por exemplo. Impostos e valores como a anuidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) também devem estar previstos nesta parcela, assim como seu pro labore. Logicamente que podem acontecer pequenas variações no valor dito como fixo, o que é natural, contudo, as variações devem estar dentro de uma margem aceitável, caso contrário, você precisa rever os valores que está usando para calcular sua parcela fixa de gastos.

A segunda parte do cálculo da hora de trabalho inclui os gastos que são variáveis – e se você não tem muita ideia sobre como prever valores que, como o próprio nome diz, podem mudar ao longo do tempo, fique tranquilo! Aqui, a dica é olhar os meses anteriores para definir valores de referência; para quem está começando agora um negócio, dedique seus primeiros meses a delinear os gastos do seu escritório e, com o tempo, o valor da sua hora ficará cada vez mais fiel a sua realidade financeira. A estratégia aqui é listar gastos que seu escritório tem e que costumam sofrer variações, tais como custos com mão de obra, insumos, plotagens, gasolina, estacionamento, horas-extra de trabalho, publicidade/divulgação, possíveis viagens ou compras quitadas em parcelas.

Por fim, uma terceira parcela que nem todos os escritórios ou profissionais lembram em creditar em sua hora de trabalho: além de quitar gastos existentes, o fruto de toda sua dedicação a um projeto também deve gerar valores que possam ser reinvestidos no negócio. Alguns exemplos de investimentos que podem ser feitos a partir destes valores são cursos de atualização, qualificação de colaboradores, melhorias e/ou ampliação da sua empresa, publicações em anuários de Arquitetura e participação em mostras (ao menos a cada dois anos). Atenção: esse valor é oriundo dos lucros do seu trabalho e não pode sacrificar seu pro labore de forma alguma!

Conseguiu identificar as três partes que compõem seus custos? Se sim, já estamos cada vez mais próximos do valor da hora de trabalho! Caso ainda tenha dúvidas, não se preocupe: este processo é complexo e variável a partir da realidade de cada escritório. Temos profissionais autônomos, que atuam em home office ou em espaços de coworking, por exemplo, assim como temos escritórios com mais de 20 profissionais contratados. As realidades são distintas, contudo, todos necessitam conhecer seus custos em detalhes e esta é uma boa oportunidade de você ficar por dentro das finanças do seu negócio.

A ideia é calcular o valor que você gasta anualmente para, ao dividir em doze partes, encontrar o valor mensal de custos do seu escritório. O custo de cada mês necessita ser coberto pelos valores que entram no escritório, para que o saldo sempre seja positivo, não é mesmo? Então, a partir do valor de custos mensais, você conseguirá saber quantas horas precisará trabalhar para cobrir os gastos. Estabelecer uma rotina, ter um cronograma de trabalho e seguir seu planejamento mensal são estratégicas primordiais para que você sempre consiga fechar a conta “no azul”.

E se, após calcular a hora de trabalho, você não consiga aplicá-la aos seus orçamentos porque não consegue definir o tempo total dedicado a um projeto? É um desafio, mas é na sua experiência profissional que você encontrará as respostas. Quanto tempo eu necessito para projetar uma cozinha, por exemplo? E um ambiente comercial? A complexidade do projeto a ser realizado também contará neste momento, já que você poderá precisar de mais colaboradores para um trabalho mais específico, por exemplo.

Lembre-se que não é incomum ter dificuldades no momento de elaborar um orçamento, contudo, quando você conhece bem seus custos, você estabelece preços para seus projetos de forma mais segura. A prática garantirá o mínimo de prejuízo em seus orçamentos e, com o cálculo da hora de trabalho, você tem mais precisão sobre a renda necessária para manter seu negócio ativo e próspero.

Um ponto que deve ser lembrado é que você necessita agregar ao valor da sua hora de trabalho toda a experiência profissional e as atualizações que você realizará ao longo da sua carreira. Com o passar do tempo e com a ampliação do seu portfólio, você construirá uma trajetória profissional que precisa ser levada em conta na elaboração de um orçamento. É natural que vejamos diferenças entre os valores apresentados por profissionais experientes e iniciantes – tal situação faz parte do mercado e é a partir das experiências pregressas que você tem mais segurança e prerrogativas para majorar seu valor final.

Para finalizar, lembre-se que você pode contar com ajuda especializada para diagnosticar seus custos e estabelecer o valor da hora de trabalho. Seu contador pode ser peça importante neste processo, auxiliando você a identificar custos, assim como você poderá contar com entidades como o SEBRAE, por exemplo, que oferta cursos e presta consultorias para empreendedores. Outros parceiros do seu negócio neste momento podem ser as entidades de classe, como o CAU, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a Associação de Arquitetos de Interiores (AAI) ou a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA).

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1 comentário

  • Reply Clarice 18/07/2017 at 14:00

    Li o conteúdo aqui, comecei a reconhecer minha autoria . Foi interessante saber que ele está entre os mais lidos. Obrigada pela oportunidade.
    Clarice Mancuso

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