Quanto custa um projeto de design de interiores? Saiba como precificar

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Você trabalha na área de design de interiores e acha que está na hora de começar a valorizar mais o seu trabalho? O primeiro passo, sem dúvidas, é profissionalizar cada vez mais os seus processos e estar sempre se atualizando com todos os recursos que o seu mercado oferece.

Mas e quando você já está dando o seu melhor e não tem informações que permitam cobrar pelo seu trabalho de maneira justa e, ao mesmo tempo, competitiva com o mercado? Trouxemos informações valiosas para que você alinhe a sua abordagem na hora de falar para um cliente quanto custa um projeto de design de interiores.

Nesse post, vamos rever todas os estágios de um projeto de interiores e os elementos primordiais necessários para a sua realização. A partir dessas informações, você vai compreender como precificar os seus projetos da maneira ideal e, principalmente, como apresentar sua proposta. Vamos lá?

Conheça as principais etapas de um projeto de interiores

Você já parou para pensar nas etapas do seu processo de desenvolvimento de um projeto levando em conta a sua importância para o momento de precificação? Veja a seguir as dicas que separamos para você aprimorar o seu processo e fazer com que ele seja visto com valor pelo seu cliente.

Briefing

Esta é a sua fase de oportunidade. Para que você já comece com o pé direito com seu possível cliente, você vai precisar garantir um bom briefing. É esse documento que vai conter desde informações básicas como o tipo de ambiente no qual um novo design será aplicado até mesmo questões mais subjetivas como hábitos, preferências e necessidades de quem convive naquele espaço.

Cabe a você extrair do seu possível cliente as suas exatas expectativas e objetivos com o projeto a ser desenvolvido. Informações práticas como prazo desejado e orçamento disponível também são essenciais.

A partir dessas informações, busque os seus primeiros insights e aponte possíveis maneiras de solucionar as necessidades do ambiente de maneira ideal. É essencial também sanar qualquer dúvida sobre os processos e etapas que virão a seguir. Deixe que o cliente saiba exatamente o que esperar e em quais prazos, assim já estabelecendo uma confiança recíproca.

Levantamento métrico e fotográfico

Para começar a dar forma ao projeto de fato é preciso fazer uma visita ao local ou ambiente para o qual você vai desenvolver uma proposta. É extremamente importante medir rigorosamente cada componente do local, além de fotografar o ambiente para que essas fotos possam servir de suporte durante o desenvolvimento.

É necessário também avaliar o contexto em que o local está inserido, quais são as particularidades da região e se há algum fator externo que pode influenciar nas decisões.

Para obter essas informações, entreviste o seu cliente e aproveite também para saber se ele chegou a pensar em alguma solução específica para alguma parte do ambiente, ou se tem algum fator que ele ache essencial, ou seja, uma objeção.

Aproveite a oportunidade para fazer um esboço manual do ambiente. Você precisará disso para suas anotações e para o desenvolvimento da etapa seguinte.

Estudo preliminar

Nessa etapa é hora de realizar o pré-projeto. Este documento deve traduzir o estado atual do ambiente por meio de softwares próprios para esse fim. Os softwares são uma maneira mais atualizada e profissional de realizar e apresentar projetos de decoração.

É preciso que você entenda quais softwares existem, quais são mais utilizados, e as novidades para esse segmento de mercado. Você, com certeza, já conhece o Promob Arch, e sabe que é essencial um software que apresente novidades e inovações para tornar você um profissional diferenciado.

Planta Baixa

Esse estágio também pode ser chamado de anteprojeto. É nele que o estado atual do local é inicialmente modificado a fim de apresentar soluções para o que foi destacado pelo cliente.

A partir de pesquisas e aprofundamento de referências você deve realizar uma proposta inicial. Essa proposta deve incluir possibilidades de remoções ou adições de paredes e a proposição de um layout básico levando em conta itens de mobiliário e marcenaria.

A partir da aplicação dessas alternativas no software, será possível fazer uma simulação do funcionamento dos espaços e avaliação da ergonomia proposta. Essas serão as primeiras diretrizes para o projeto final e também serão a sua primeira carta na manga para mostrar o valor do seu trabalho para o seu cliente.

Modelagem 3D

Após as aprovações das propostas feitas e apresentadas na etapa anterior, é hora de colocar o projeto em 3 dimensões contando, novamente, com um bom software. Faça o detalhamento e refinamento do projeto. Defina com o seu cliente o estilo do projeto e inclua nele elementos como iluminação, revestimentos, paleta de cores etc.

Com a modelagem 3D é possível que o cliente veja de fato o que está sendo proposto e aprove com segurança. É um estágio que, quando bem-feito, elimina risco de retrabalho e é um investimento que garante economia para você e para o seu cliente.

É esse formato de apresentação que, em caso de projetos corporativos, deve ser demonstrada a chefes e investidores.

Faça uma relação de materiais necessários

Depois que o seu projeto for aprovado, o próximo passo é separar cada categoria dele em pranchas de acordo com as etapas de execução. Esse detalhamento técnico é necessário para solicitar orçamentos para cada tipo de fornecedor e avaliar a viabilidade de execução do projeto.

As pranchas podem abordar detalhamentos como:

  • demolições e construções;

  • sistema hidráulico, elétrico, iluminação e ar-condicionado;

  • revestimento de pisos, paredes, gesso e pinturas;

  • tomadas e interruptores;

  • itens de marmoraria, vidraçaria e marcenaria;

  • mobiliário e decoração.

Dependendo da complexidade do projeto, esse detalhamento de materiais pode chegar a possuir por volta de 40 pranchas. Eles são importantes para que os orçamentos sejam feitos corretamente, e para que qualquer dúvida do fornecedor e executor dos estágios do projeto seja sanada.

Após essa fase, o ideal é que não ocorram alterações no projeto, até mesmo porque a fase na qual o cliente deve avaliar e toma decisões é o anteprojeto, que citamos no tópico anterior. Por esse mesmo motivo, esse detalhamento técnico deve ser realizado e revisado cuidadosamente para garantir que todos os componentes do projeto sejam comprados e instalados corretamente.

Tenha domínio sobre fornecedores e mão de obra

Com todas as pranchas de detalhamento de materiais prontas, você já pode passá-las para os fornecedores, receber os seus orçamentos e fechar o projeto executivo. Esse projeto consistirá no planejamento de execução, levando em conta os fornecedores escolhidos, seus contatos, prazos estabelecidos, valores, formas de pagamento, discriminação de produtos e serviços etc.

Cabe a você, como realizador do projeto, acompanhar e garantir que a execução seja feita com excelência. O ideal é que você vá até os fornecedores como marceneiros, vidraceiros, eletricistas, acompanhe a entrega de produtos e a atuação da mão de obra, faça a ponte entre o cliente e o fornecedor, e garanta o cumprimento de todos os prazos contidos no cronograma.

Lembre-se também de garantir que as etapas do projeto sejam realizadas na ordem correta e que não haja desperdício de material. Quanto mais otimizados os processos forem, melhor será sua reputação profissional e mais satisfeito o cliente ficará.

Saiba como cobrar pelo seu trabalho

Sem mais delongas, vamos conversar agora sobre quanto cobrar pelo projeto de design de interiores?

Primeiramente, é importante lembrar que o projeto em si é cobrado separadamente em relação a certos serviços que você, como profissional da área, pode prestar para o seu cliente com o intuito de dar um atendimento mais completo.

Veja a seguir as formas de precificação que se aplicam a cada uma dessas etapas:

Orçamento de projeto

Com certeza você já viu várias propostas de precificação em suas pesquisas, e já deve ter percebido que, realmente, não existe uma maneira correta de cobrar pelo seu projeto. Porém, existem maneiras mais bem embasadas. O essencial é se basear em informações qualificadas.

Por exemplo, uma das maneiras de cobrar pelo seu projeto é cobrar por ambiente fechado. Apesar de simplificar o orçamento a ser passado para o cliente, essa forma de precificação acaba não tendo nenhum valor de mercado como base, nem mesmo uma diferença de preço quando o profissional for elaborar projetos para ambientes de tamanhos diferentes.

Por outro lado, a ABD (Associação Brasileira de Designers de Interiores) fornece tabelas de valores específicas para cada região do país. A diferença é que o valor proposto pela Associação é por metro quadrado, o que torna a informação mais viável de ser calculada, afinal ela é justa para o profissional e, com certeza, será bem embasada e fará sentido aos olhos de um cliente leigo.

Outra maneira é fazer a precificação incluindo o Custo Unitário Básico (CUB) da construção. Para calcular o valor, basta multiplicar o tamanho do ambiente em metros quadros não só pelo valor encontrado na tabela guia da ABD — ou de outro órgão confiável —, mas também por esse valor de CUB.

Essa segunda opção de precificação leva em conta também as particularidades de diferentes ambientes, sem considerar apenas o seu tamanho. Ambientes como banheiros e cozinhas, por exemplo, são áreas úmidas que precisam de maior atenção e até mesmo serviços especiais. Cobrar a mais por isso é uma outra maneira de valorizar o seu trabalho e garantir qualidade ao seu cliente.

Vale sempre lembrar também que o valor do projeto não cobre o preço do mobiliário ou dos itens de decoração. Embora isso seja uma questão óbvia para você enquanto profissional, é melhor repassar essa informação com o seu cliente e garantir que não haja mal-entendidos.

O último fator que pode influenciar no valor que você cobra é o seu reconhecimento no mercado. Suas experiências prévias, seu portfólio, seu senso estético e sua assinatura autoral, se forem vistos como grandes influências e diferencias, podem fazer com que você agregue mais valor e cobre mais pelos os seus projetos.

Além de saber como cobrar por seus projeto é importante que você faça um controle do seu lucro com projetos de interiores. Ao adotar uma nova abordagem de precificação como as expostas acima, você poderá, até mesmo, comparar se foi realmente possível aumentar seus lucros e se houve uma maior valorização dos seus serviços.

Orçamento de execução

O orçamento de execução envolve o valor à parte que você cobra por administrar e acompanhar a execução do projeto. Geralmente, esses serviços são cobrados aplicando uma porcentagem de 10% a 20% sob o valor total do projeto.

Caso o acompanhamento não seja constante, e você determine apenas visitas à obra, ou consultorias, esses serviços podem ser cobrados por hora.

Nem todo profissional da área de design de interiores oferece esses tipos de serviços. Vale lembrar, porém, que dificilmente uma pessoa vai contratar profissionais diferentes para projetar e administrar a execução da proposta. O ideal é que você use essas habilidades como uma oportunidade de prestar um serviço completo e ter uma vantagem competitiva no mercado.

Alguns designers cobram à parte também pelo desenho e elaboração de projetos 3D. Essa questão fica a critério de cada profissional.

Saiba como apresentar o seu projeto de interiores

Veja o passo a passo:

Apresentação de projeto para o cliente

O que vai garantir que você feche projetos, seja mais assertivo e obtenha a aprovação do seu cliente, sem dúvidas, é uma boa apresentação da sua proposta de interiores. Como vimos, esse tipo de trabalho requer muitas etapas, reuniões e análises até que chegue o momento da execução de fato.

Você vai precisar realizar sessões de reunião muito bem planejadas para cumprir cada etapa com o seu cliente. Primeiramente, na etapa de briefing, é interessante que sua abordagem seja mais como uma entrevista, para que você consiga extrair todas as informações essenciais para os detalhes do projeto.

Em seguida, sua visita ao local em que o projeto é localizado deve ser definida em um dia e horário em que tanto você quanto seu cliente possuam disponibilidade. Você vai precisar de tempo para medir e fotografar o local com precisão, e o seu cliente deve apresentar de forma mais explicativa o que foi explanado na conversa inicial.

O seu próximo passo é desenvolver a planta baixa do local e, posteriormente, a sua proposta em 3D. É aí que você deve ser o mais minucioso possível para garantir que o seu cliente vai fechar com você.

Invista em suas apresentações. Faça uma introdução que posicione a sua atuação profissional de maneira alinhada à expectativa do cliente. Apresente o conceito primordial do projeto e argumente para que fique clara a maneira como ele proporcionará unidade ao projeto

Comece falando um apanhado sobre o que foi definido para o local, destacando os principais pontos que necessitam de alguma intervenção maior. Procure fazer uma apresentação didática e criativa. Preocupe-se em captar e conduzir o cliente utilizando uma linguagem simples e direta.

Evite termos técnicos que possam dificultar o entendimento caso o seu cliente seja leigo no assunto, mas, se necessário, introduza conceitos que sejam essenciais para o embasar sua argumentação em cima da sua proposta.

Utilizar ilustrações, croquis e maquetes volumétricas, além de recursos multimídias de qualidade para transmitir confiabilidade e estabelecer uma relação mútua de confiança com o cliente. Animações, filmes e fotos são bem-vindas. Inclua também plantas, cortes, fachadas e quadros da área.

O projeto, além de esteticamente agradável, precisa ter conteúdo e apresentar soluções otimizadas e funcionais. Apresente a proposta argumentando sobre como cada detalhe será realizado com o intuito de alcançar os objetivos do projeto. Mostrar como as necessidades serão sanadas pela proposta.

Ao longo de sua fala, oscilar o tom e voz e fazer perguntas pode ajudar a garantir a atenção dos clientes e mantê-los engajados com sua proposição. Você pode até mesmo criar momentos mais leves por meio do uso de humor. Gesticule, exemplifique e apresente conceitos e soluções com tom de confiança e segurança, essas atitudes também fazem com que as pessoas se sintam convencidas pelos seus argumentos.

Certamente também surgirão dúvidas ao longo da apresentação. Responda de maneira natural e tente novas abordagens explicativas caso o cliente não esteja demonstrando compreender de fato. Peça sempre a opinião do seu cliente a fim de descobrir se ele está sentindo que suas expectativas estão sendo atendidas.

Por fim, quando for o momento de negociação, busque sempre o melhor custo-benefício para o seu cliente e mostre para ele que você está garantindo esse aspecto em todas as etapas do projeto.

Apresentação de detalhamento para fornecedores

É claro que o principal interessado no projeto que você realizar é o seu cliente, mas, além dele, existem vários investidores e componentes da sua própria equipe para os quais você precisa apresentar seu projeto, ou partes dele.

Discutimos brevemente sobre esse tópico quando falamos sobre a etapa de detalhamento técnico do projeto, e da discriminação de materiais necessários para sua execução. É importante saber que, além desse detalhamento, você precisa realizar uma documentação rigorosa de todo o processo.

O estudo preliminar do seu projeto com o estado atual do ambiente, por exemplo, é um dos poucos documentos que devem ter uma cópia entregue para o cliente. Já o anteprojeto, com as primeiras modificações propostas, devem ser direcionados aos seus projetistas auxiliares. O projeto executivo de cada categoria, como falamos, é destinado aos respectivos executores.

Todos esses documentos devem ser reunidos em um caderno de projeto em formatos maiores como A3 ou A2 com todas essas informações. As apresentações multimídia e recursos audiovisuais desenvolvidos para demonstração da proposta também devem ser inseridos nesse caderno.

Neste artigo você pode conferir um detalhamento de todas as etapas que compõem o processo de desenvolvimento de um projeto de design de interiores. Certamente, você entendeu a importância que cada etapa possui para que o projeto seja desenvolvido com excelência. Apenas desta maneira o seu cliente será capaz de enxergar o valor da sua atuação, e é isso que torna o processo tão essencial no momento de precificar o seu trabalho.

Após a retomada dos estágios de desenvolvimento de projetos, você pôde ver um pouco da importância de fazer um bom detalhamento técnico. Esse documento é essencial na relação entre você, seu cliente, seus fornecedores e demais colaboradores.

É ele que garante que todos os materiais necessários estão incluídos nos pedidos. É por meio dele que você pode cobrar o cumprimento de prazos por parte dos colaboradores.

O detalhamento técnico, basicamente, garante que o seu projeto seja otimizado em todos os aspectos e também contribui para que você agregue valor na hora de cobrar pelo seu serviço.

Vimos nesse post também a importância dos serviços complementares nessa mesma relação com os fornecedores. Você pode perceber que, quando o serviço de acompanhamento faz parte do contrato fechado com seu cliente, você tem um controle maior da execução do seu projeto.

É claro que você vai garantir os melhores fornecedores e melhor custo-benefício para o seu cliente. Mas, além disso, tendo controle sobre os fornecedores e a mão de obra, sua atuação pode ser mais incisiva, e esta é, certamente, a melhor maneira de garantir que as expectativas do seu cliente serão cumpridas ao fim do projeto.

Por fim, falamos sobre as formas práticas e confiáveis que você pode aplicar em seus processos para garantir um orçamento bem estruturado. Certamente, a partir dessas informações, você poderá apresentar o seu orçamento com muito mais segurança para os seus clientes.

Falamos aqui também sobre técnicas de apresentação que você deve utilizar em cada etapa da abordagem com seu cliente e, lembre-se sempre que cada dica citada é válida e deve ser aprimorada a cada novo atendimento. Manter-se atualizado sobre as técnicas e ferramentas de apresentação de projetos de interiores é indispensável para que você se torne até mesmo referência de mercado.

Agora que você já sabe a importância que cada etapa do desenvolvimento de um projeto tem para precificá-lo, e entendeu as maneiras mais bem embasadas de calcular valores ao redigir orçamentos para os seus clientes, você não vai mais precisar se perguntar quanto custa um projeto de design de interiores, não é mesmo?

Com todas essas novas informações, você está pronto para aprimorar outro aspecto que colabora muito para o seu profissionalismo, que é a sua habilidade de negociação. Não perca mais tempo e baixe agora mesmo o nosso guia completo sobre esse tema com as melhores dicas de venda para designers de interiores!

Sobre Alexa | Promob

Designer de Interiores, executiva de relacionamento e colaboradora de conteúdo na Promob. Profissional com experiência em projeto de ambientes internos, tendências e inovação.

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